Dell e Lenovo preparam aumento de preços de PCs e notebooks devido ao custo da memória
O mercado de PCs se aproxima de mais um reajuste de preços — e a culpa, novamente, está nas memórias DRAM. Com a disparada nos custos desses chips usados em praticamente todos os computadores e dispositivos móveis, gigantes como Dell e Lenovo já se movimentam para repassar o impacto ao consumidor.
PCs e notebooks devem ficar até 20% mais caros
Segundo dados da consultoria TrendForce, a Dell comunicou a parceiros e distribuidores que pretende aumentar seus preços entre 15% e 20% ainda neste mês. O movimento reflete a alta expressiva nas memórias DRAM, componentes essenciais que influenciam diretamente o custo final dos notebooks e desktops.
A Lenovo segue caminho parecido. A empresa deve atualizar sua tabela de preços no início de 2026, com reajustes que já estão sendo informados aos revendedores. O cenário se repete entre outros grandes nomes da indústria, como HP, Samsung e LG, que revisam seus cronogramas de produção para o próximo ano.
Efeito em cadeia no mercado de tecnologia
Para os fabricantes, o aumento da memória pesa mais do que parece. Executivos da HP lembram que o componente representa entre 15% e 18% do custo total de um PC — e qualquer oscilação significativa impacta margens e estratégias comerciais. Ainda assim, o setor tenta evitar repassar todo o aumento de uma só vez, por medo de frear a demanda num momento em que o mercado de computadores começa a se estabilizar após anos de queda.
Mas a TrendForce já ajustou suas projeções: em vez de um crescimento de 1,7% nas vendas de notebooks em 2026, o cenário agora é de retração de 2,4%. O recado é claro — os próximos trimestres devem trazer um mercado mais cauteloso, especialmente no segmento de PCs e laptops “AI-ready”, que exigem mais memória e hardware avançado.
Os consumidores que planejavam trocar de notebook no início de 2026 podem encontrar preços menos convidativos. As configurações intermediárias, que dependem fortemente do equilíbrio entre RAM e processador, devem ser as primeiras a refletir a alta. Já nos topos de linha voltados a inteligência artificial, o salto deve ser ainda mais perceptível, tanto pela demanda de hardware mais robusto quanto pelos custos de produção crescentes.


